Eram 5h00 da manhã. Eu subi com o meu portátil para o quarto e disse:
-“Vou ver um filme antes de adormecer.”
Enquanto me aconchegava na cama e punha o filme a começar disse para mim própria “se ele subir e me bater á porta é porque me adora, se ele não subir é porque eu sou nada”. E o filme começou, mas eu estava a pensar nas mãos dele. Perfeitas e delicadas. A maneira como ele me abraça que me queima na pele. Estava eu a pensar que *”desejava que falássemos em código. Uma simples frase, uma única palavra, podia significar todo um vocabulário que só eu e tu soubéssemos. Eu te diria então, o que realmente sinto, só tu o irias entender, só tu me aceitarias pelo que realmente sou.”
Oiço baterem-me á porta. Meu coração salta-me do peito a toda a velocidade, e o rosto dele aparece na beirada da porta, pergunta-me:
-“Está a dormir alguém naquela cama?”
Eu não tenho palavras, apenas aceno que não. Depois pergunto timidamente se ele quer ver um filme comigo. Ele diz que sim e aninha-se do meu lado. E eu... começo a ouvir música...
*Meus apontamentos
“deve ser esta a minha timidez e esta a minha cobardia, que só quando estou longe me vem o coração ás mãos e tenho vontade de to oferecer, sem medo que o possas aceitar”
Miguel Esteves Cardoso em “O Amor é Fodido”
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1 comentário:
Códigos.
No meu tempo de menino, os mais audazes, tinham um código, escrito em letras e papel bem pequenino que, enviávamos aos nossos amores;
"Lobergober eberstoberufux nober mebersmober lobercaixl paixraix teber aixmaixr sober aix tifix. Queberrober coberntifixnufuxaixr aix teberr obers teberufuxs braixçobers ebernvoberltobers nober meberufux coberrpober queber aixgoberraix eber sober teberu."
Era na verdade outro tempo. Agora, não é assim tão diferente. É que a liberdade é total e; ninguém ainda fala de boca aberta.
;)
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