Cinco anos depois de ter recebido as fotos pelo correio, regressei a minha terra natal, não me tinha apercebido de como sentia falta do cheiro caseiro, aquele calor confortável, aquela sensação nostálgica do regressar ás origens. Era a primeira vez em cinco anos que tirara 2 meses para estar completamente de férias, longe de todo um mundo em movimento, naquela pacata vila do interior do meu país.
Depois de estar os primeiros três dias fechada em casa a observar e comparar o que tinha mudado, quis sair e ir ver o local, o local onde cinco anos antes tinhamos estado, e onde ela se tinha empregnado debaixo da minha pele a partir de então.
Conta-me, que feitiço lanças-te em mim? Deixas-te em mim um vazio, que ainda não foi preenchido, e que quando não o consigo encher com ilusões que conto para mim própria ou com corpos que apenas satisfazem os meu desejos do momento, é uma dor insuportável.
Cheguei ao local, mas ele estava ocupado, alguém estava recostado sobre aquela árvore, que naquele momento fazia largar suas pétalas ao vento, eu recordei o momento. Ohh, flocos de neve! Quem lá estava ouviu-me chegar, virou o seu rosto para mim, eu parei de andar observando, ele saltou do ramo da árvore onde estava sentado. Era alto, muito alto, devia ter o um metro e noventas e tais, tinha pele morena de quem está bronzeado em pleno verão e uns olhos muito castanhos, quase pretos e de expressão irrequieta, era magro mas de ombros largos, fazendo lembrar um nadador. Olhou-me, atrapalhada imaginei mil coisas para dizer, meter conversa, mas então ele falou:
-Eu conheço-te!
Eu fiquei surpreendida, pensei para mim “impossível, nem eu me conheço”, mas ele sorriu e uma lembrança daquele sorriso nos meus tempos de infância apareceu e o meu mundo ruiu. Olhei para o céu numa tentativa de perguntar silenciosamente “porquê?”, mas td o que eu via era as pétalas ao vento...e respondi:
- Sim, eu também.
Depois de estar os primeiros três dias fechada em casa a observar e comparar o que tinha mudado, quis sair e ir ver o local, o local onde cinco anos antes tinhamos estado, e onde ela se tinha empregnado debaixo da minha pele a partir de então.
Conta-me, que feitiço lanças-te em mim? Deixas-te em mim um vazio, que ainda não foi preenchido, e que quando não o consigo encher com ilusões que conto para mim própria ou com corpos que apenas satisfazem os meu desejos do momento, é uma dor insuportável.
Cheguei ao local, mas ele estava ocupado, alguém estava recostado sobre aquela árvore, que naquele momento fazia largar suas pétalas ao vento, eu recordei o momento. Ohh, flocos de neve! Quem lá estava ouviu-me chegar, virou o seu rosto para mim, eu parei de andar observando, ele saltou do ramo da árvore onde estava sentado. Era alto, muito alto, devia ter o um metro e noventas e tais, tinha pele morena de quem está bronzeado em pleno verão e uns olhos muito castanhos, quase pretos e de expressão irrequieta, era magro mas de ombros largos, fazendo lembrar um nadador. Olhou-me, atrapalhada imaginei mil coisas para dizer, meter conversa, mas então ele falou:
-Eu conheço-te!
Eu fiquei surpreendida, pensei para mim “impossível, nem eu me conheço”, mas ele sorriu e uma lembrança daquele sorriso nos meus tempos de infância apareceu e o meu mundo ruiu. Olhei para o céu numa tentativa de perguntar silenciosamente “porquê?”, mas td o que eu via era as pétalas ao vento...e respondi:
- Sim, eu também.
Música do Dia: "Daniel - Bat for Lashes"
1 comentário:
Conheço outros cheiros, os da minha terra, da minha gente, da minha família, até dos animais que um dia roçavam em mim. Ó se me lembro! Era tudo mais vagaroso e tinha sempre muito tempo para os outros meus iguais. O céu era mais azul. O mar, esse, ficava bem tão longe da minha terra, aquele que fugi para crescer e tornar-me mais um, igual aos outros; o mesmo do mesmo.
Voltarei, para me consolar na mesma terra, no final.
Beijo
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