sexta-feira, 13 de março de 2009

O último "Bip"

O comboio está mesmo a partir, ouve-se o último “bip” antes do fechar das portas, e eu corro e ainda consigo entrar, mas, ao entrar tropeço, com o número excessivo de pessoas á minha volta, o meu instinto é agarrar-me a alguém de forma a não aleijar essa pessoa, para meu espanto, alguém me abre os braços, alguém me segura e pergunta algo que não oiço. Tiro os meus auscultadores dos ouvidos, ponho-me direita e olho curiosamente para a cara do meu salvador e digo um obrigada.
Ele pergunta “estás bem? Vi torceres o pé...” , eu sinto as minhas faces ficarem quentes, respondi que sim, e reparo nos seus grandes olhos azuis, reparo que deve ter a minha idade, reparo na pele da sua face que aparenta ser extremamente macia com a barba apenas aparada, e cheiro, e sim é perfume! Tem cabelo negro ligeiramente grande e despenteado. Dou-me conta que ainda o estou a agarrar no braço, peço desculpa, componho o meu estado emocional do momento (meu deus, que deus!!) e olho para as janelas da porta tentado concetrar-me na paisagem do lado de fora.
O meu pé realmente dói, mas é suportável, olho um pouco de lado para observar ele um pouco mais, ele está a olhar para mim e sorri.
Começo a encarar toda a situação como um autêntico cliché, “todas as histórias românticas de filmes e novelas começam assim”, fico desinteressada, ponho os meus auscultadores, e não olho mais.

Hum... que irei eu comprar para o pequeno almoço?

Musica do dia: “Ulisses” – Franz Ferdinand

1 comentário:

Anónimo disse...

Fico sem palavras.. É muito bom, de vez em vez, vir aqui ler-te para me sentir um caos. Gosto de viver no caos. Suporto bem o caos.

;)