quinta-feira, 26 de março de 2009

Querido Príncipe

Ohh querido príncipe que andas tu a fazer?
Choras, cais, encolhes-te e choras um pouco mais. Ohh príncipe tão fraco que estás.
Dizes mal da vida, ohh como tu gostas de sofrer, onde está a dedicação á tua musa, que andas sempre a prometer?
Passas o tempo perdido, como se não tivesses ninguém, enquanto as pessoas em teu redor sentem a desilusão de não te ver crescer.
Ohhh querido príncipe será que sabes? Que o amor não salva ninguém? Não é o amor que te livra dos teus males...
Será que sabes...e apenas não queres ver? Tão ingénuo este principe...
Será que estás a espera, que uma força desconhecida faça as coisas por ti? E desculpe todo o tempo que tens deitado fora ?
E se esta força nunca chegar....?
Até um passaro perdido na escuridão imensa iria gostar de provar o luar, e o cair duma das suas penas seria capaz de queimar um reino inteiro e pôr o seu sangue a derramar.
Ohh querido príncipe faz-me uma sombra com a forma de uma maravilha ainda não descoberta.
E este Mar... este Mar com as suas ondas negras...será que consegues suster a respiração e esperar que o céu volte? Ou preferes afogar-te como um rato?
Musica do Dia "Oh my God" - Ida Maria

quinta-feira, 19 de março de 2009

Flocos de Neve

Só mais uma foto, vah lah!
Dizia-me ela, com o olhar desafiador. Soltei os meus cabelos castanhos, abri os braços, e lá estava ela, como que absorvida, fazendo os seus “clicks”, e ela não falava, rodava á minha volta, absorvida, mandava-me olhares indiscretos, parava e contemplava-me, pedia mais uma foto,e eu... eu sentia-me seduzida.
Sentia-me pouco a vontade, as minhas inseguranças em relação ás minhas ancas, os meus joelhos, a minha barriguinha começaram a vir ao de cima. E ela... ela brincava e dizia-me “ vah lah sobe mais a saia” e “ desce mais as alças dessa tua t-shirt”, e eu fazia-o, e vagueava ali naquele campo verde ao pôr do sol, descalça e com alguma fome.
Ela elogiava-me, eu compreendia que era apenas para me deixar mais à vontade, mas então ela aproximou-se, desviou-me os cabelos do ombros, virou-me a cara de modo a que ficasse de perfil.Esperando que ela começasse nos seus “clicks”, comecei a focar-me na árvore que se encontrava á minha frente, estava cheia de botões brancos de flores, que num bom sinal de primavera começavam a abrir, e com a leve brisa dum fim de tarde primaveril, faziam aquelas pétalas brancas voar, se não tivesse o pôr do sol no horizonte, diria que estava a nevar. E então senti, senti um suave calor, como quando estas em frente á lareira numa noite fria de inverno, senti-o profundamente, invadir-me, fechei os olhos, e o sentimento ampliou-se deixando-me atordoada, senti as suas mãos macias, percorrerem os meus ombros subindo até ao meu pescoço onde ela o beijava carinhosamente com os seus labios suaves e fofos, estava de olhos fechados mas via, via claramente, via os seu cabelos loiros compridos misturados com os meus, vi-a a sua pele branca e quente encostar-se á minha, ouvia o som do seu repirar bem junto ao meu ouvido. Todo o meu corpo estava impossibilitado de se mexer enquanto ela movia as sua mãos macias pelo meu corpo, e então chegaram á minha face, gentilmente virou-me a cara para ela, estavamos tão perto, reparei nas suas longas pestanas, na sua pele rosada, nos seus grandes olhos cor de avelã e os seus lábios quase vermelhos... e sim senti-os encostarem-se nos meus, tão suaves, tão quentes, tão delicados, naquele momento tudo o que eu sabia sobre qualquer coisa desapareceu, apenas via aquelas pétalas brancas, que mais pareciam flocos de neve cairem lentamente, numa tarde que mais parecia de verão.
Sem saber como, movi-me, ela assustou-se e largou-me, olhei para ela e o seu olhar tinha mudado, o mesmo olhar que me tinha beijado tinha saído do seu transe e nunca mais o voltei a ver. Ela pediu desculpa, apanhou a sua máquina fotográfica que tinha caído no meio da erva, viu que estava inteira, olhou para mim e fez mais um “click”, e disse que estava na hora, de irmos embora para jantar. Não tinha palavras, dentro de mim apesar de estar um túmulto de emoções, morava o silêncio cá para fora que duma certa forma, me deixou confortável para o resto da noite. Depois disso nunca mais a vi.
As fotos chegaram alguns dias depois pelo correio, eu nem me reconheci, pareciam fotos de revistas de moda, eu com todos os meus defeitos ali estava, nesse momento apaixonei-me por mim.
Ahhh...querida Rafaela... que fizeste tu de mim?

Musica do Dia: "Love will tear us apart" - Joy Division

quarta-feira, 18 de março de 2009

A sonhadora e o Realista

As vezes que me lembro... são infinitas.. ele disse-me que eramos perfeitos um para o outro, que tinhamos imensas coisas em comum por isso é que te tinha levado para a minha festa dos 22 anos.

Nós nunca mais nos largamos desde então.Desde essa mesma noite.

E tu... tu continuas a surpreender-me... todos os dias. Sempre me encantas, secretamente, se não fosse pelo meu coração partido, tu terias sido o meu grande amor, mas eu considero-te o meu segundo o mais importante de todos pois ainda nao me deste desilusões. Também penso que estarei nesta categoria para ti, pois o teu coração também estava partido quando te conheci.

Nunca me deste a mão, quando vamos juntos. Sempre és o mais calado do grupo. Costumas dizer que nunca foste do tipo popular, mas que eras sempre o amigo do amigo que conhecia muita gente, e isso sempre te bastou.

Sempre que passamos por alguém em necessidade, eu sou a primeira a ignorar, tu és o primeiro a abrir a carteira ou o maço dos cigarros e a dares.

Mesmo não dizendo as palavras certas estás sempre do meu lado,(ahh o quanto eu te adoro por isso).Ás vezes chegas a ser o mais falador, explicando-me coisas que eu nunca tomaria grande atenção se as visses por mim própria.Tu deste-me uma nova forma de olhar e de escutar.

Tu sabes ver-me e fazes do que vês uma parte normal de ti.
Se disseres que me queres para sempre, eu não te direi não. Mas não te prometo o para sempre, pois isto que bate no meu peito,e que lhe chamam coração, bate sem razão. Mas que é isto?... a razão? Terá havido alguma vez, uma razão?

Musica do Dia: "A song to say goodbye" - Placebo

segunda-feira, 16 de março de 2009

Não....porque...

Porque estás longe, e eu não te sinto.
Porque não fazes bem o meu tipo.
Porque és assim, e não assado.
Porque não ficas comigo um bocado.
Porque choras quando não estou.
Porque te emocionas se ao teu lado vou.
Porque és piegas, e andas de cabeça baixa.
Porque és fraco e manipulável.
Porque sorris se te falo a sério.
Porque ficas amuado, quando te falo a brincar.
Porque sei quando mentes.
Porque não sabes quando minto.
Porque gostas de não fazer nada.
Porque eu gosto de fazer tudo.
Porque tens um olhar engraçado.
Porque sonhas acordado.
Porque bebes até mais não.
Porque não queimas o meu coração.
Porque me fazes pensar, que não.
Porque me fazes pensar que talvez sim.
Porque fazes parte de mim.

Musica do Dia: "Goreki" - Lamb

sexta-feira, 13 de março de 2009

O último "Bip"

O comboio está mesmo a partir, ouve-se o último “bip” antes do fechar das portas, e eu corro e ainda consigo entrar, mas, ao entrar tropeço, com o número excessivo de pessoas á minha volta, o meu instinto é agarrar-me a alguém de forma a não aleijar essa pessoa, para meu espanto, alguém me abre os braços, alguém me segura e pergunta algo que não oiço. Tiro os meus auscultadores dos ouvidos, ponho-me direita e olho curiosamente para a cara do meu salvador e digo um obrigada.
Ele pergunta “estás bem? Vi torceres o pé...” , eu sinto as minhas faces ficarem quentes, respondi que sim, e reparo nos seus grandes olhos azuis, reparo que deve ter a minha idade, reparo na pele da sua face que aparenta ser extremamente macia com a barba apenas aparada, e cheiro, e sim é perfume! Tem cabelo negro ligeiramente grande e despenteado. Dou-me conta que ainda o estou a agarrar no braço, peço desculpa, componho o meu estado emocional do momento (meu deus, que deus!!) e olho para as janelas da porta tentado concetrar-me na paisagem do lado de fora.
O meu pé realmente dói, mas é suportável, olho um pouco de lado para observar ele um pouco mais, ele está a olhar para mim e sorri.
Começo a encarar toda a situação como um autêntico cliché, “todas as histórias românticas de filmes e novelas começam assim”, fico desinteressada, ponho os meus auscultadores, e não olho mais.

Hum... que irei eu comprar para o pequeno almoço?

Musica do dia: “Ulisses” – Franz Ferdinand

quarta-feira, 11 de março de 2009

Bilhetes

Constumavas escrever pequenos bilhetes, que depois os escondias cuidadosamente pelo meu quarto. Nesses bilhetes, escrevias coisas doces, costumavas dizer que escrevias “coisas que não podem desaparecer” e que quando eu os encontrasse, me fariam sorrir e que o meu sorriso era o que tu mais adoravas.
Quando partiste, deixando para trás o meu coração despedaçado, num acto de raiva, dediquei-me a encontrar todos os teus bilhetes, juntá-los e um dia devolver-tos.
Uma semana depois, foi o que fiz.
Cinco anos depois, ao limpar o meu quarto, resolvi mudar todas as fotos das minhas molduras. Foi quando descobri, numa delas, no verso, lá estava:
“ Vou-te amar para sempre, e para sempre beijar as tuas sardas debaixo dos teus olhos verdes, quando estás a dormir”.

Musica do dia: "thinking of you" - Katy Perry