quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Se me esqueceres

Quero que saibas algo.

Tu sabes como é:
se eu olho
para a lua de cristal, através dum ramo de folhas avermelhadas
do lento Outuno á minha janela,
Se eu toco
perto do fogo, a brasa impalpável
da folha enrrugada dos meus registos,
tudo me leva até ti,
como se tudo existisse,
aromas, luz, metais,
onde pequenos barcos navegam
em direcção ás tuas ilhas que esperam por mim.

Por agora,
se pouco a pouco deixasses de me amar
eu deixaria de te amar pouco a pouco.

Se derrepente
te esqueceres de mim
não procures por mim,
porque eu já te terei esquecido.

Se pensas que durou e foi louco,
as bandeiras de vento que passam pela minha vida,
e decides abandonar-me á costa
do coração onde criei raízes,
lembra-te
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os meus braços
e as raízes se desprenderão
para procurar outra terra,
outro coração.

Mas,
se todos os dias,
a cada hora,
sentires que estás destinado a mim,
com uma doçura implacável,
se cada dia uma flor
subir a teus lábios para me procurar,
ahh meu amor, ahh meu,
dentro de mim todo o fogo se repetirá,
dentro de mim nada se extinguirá ou será esquecido,
pois meu adorado, todo o meu amor se alimenta do teu amor,
enquanto viveres, viverei nos teus braços,
sem deixar os meus.

Pablo Neruda

1 comentário:

Anónimo disse...

"Morri pela Beleza – mas mal eu
na tumba me acomodara,
um que pela Verdade então morrera
a meu lado se deitava.

De manso perguntou
por quem tombara..
Pela Beleza - disse eu,
a mim foi a Verdade.

É a mesma coisa.
Somos irmãos."

Nota: Não sei de quem é. Gosto muito. Bjo.
(uJ)