Então ela fala-me, baixinho, ou alto, sei lá. Eu começo a chorar, e digo ainda mais baixinho “ é a tua vida, os teus problemas” ela responde-me:
“- Quando digo isto não é para te magoar, e pôr a chorar, é apenas para que não sofras o mesmo que eu.” Ela explica-me que eu não devo esquecer o passado, eu falo ainda baixinho, “Como queres que esqueça?estás sempre a lembrar-me...” E ela continua, os nomes saiem-lhe da boca, como uma corrente de rio que não pode parar, o nomes que ela insistemente repete ao longo dos anos para caracterizar, a figura paternal que ela escolheu para mim. No silêncio dos meus pensamentos pergunto-me “que queres que diga? Que queres que te responda? Que poderei eu dizer para te calar? Será que ainda estás magoada?Será mesmo apenas um conselho? Quando for mãe será que farei o mesmo?Não compreendo, mas não quero ouvir...será que entendes?será que reparas?
Depois os meus labios rasgam, solto um sorriso, olho-lhe nos olhos, digo-lhe:
“Então boa noite e até á passagem de ano!” ela diz-me boa noite, exige um beijo, e diz que fica a espera.
Musica do dia: “Midnight Bottle” Colbie Caillat
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Se me esqueceres
Quero que saibas algo.
Tu sabes como é:
se eu olho
para a lua de cristal, através dum ramo de folhas avermelhadas
do lento Outuno á minha janela,
Se eu toco
perto do fogo, a brasa impalpável
da folha enrrugada dos meus registos,
tudo me leva até ti,
como se tudo existisse,
aromas, luz, metais,
onde pequenos barcos navegam
em direcção ás tuas ilhas que esperam por mim.
Por agora,
se pouco a pouco deixasses de me amar
eu deixaria de te amar pouco a pouco.
Se derrepente
te esqueceres de mim
não procures por mim,
porque eu já te terei esquecido.
Se pensas que durou e foi louco,
as bandeiras de vento que passam pela minha vida,
e decides abandonar-me á costa
do coração onde criei raízes,
lembra-te
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os meus braços
e as raízes se desprenderão
para procurar outra terra,
outro coração.
Mas,
se todos os dias,
a cada hora,
sentires que estás destinado a mim,
com uma doçura implacável,
se cada dia uma flor
subir a teus lábios para me procurar,
ahh meu amor, ahh meu,
dentro de mim todo o fogo se repetirá,
dentro de mim nada se extinguirá ou será esquecido,
pois meu adorado, todo o meu amor se alimenta do teu amor,
enquanto viveres, viverei nos teus braços,
sem deixar os meus.
Pablo Neruda
Tu sabes como é:
se eu olho
para a lua de cristal, através dum ramo de folhas avermelhadas
do lento Outuno á minha janela,
Se eu toco
perto do fogo, a brasa impalpável
da folha enrrugada dos meus registos,
tudo me leva até ti,
como se tudo existisse,
aromas, luz, metais,
onde pequenos barcos navegam
em direcção ás tuas ilhas que esperam por mim.
Por agora,
se pouco a pouco deixasses de me amar
eu deixaria de te amar pouco a pouco.
Se derrepente
te esqueceres de mim
não procures por mim,
porque eu já te terei esquecido.
Se pensas que durou e foi louco,
as bandeiras de vento que passam pela minha vida,
e decides abandonar-me á costa
do coração onde criei raízes,
lembra-te
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os meus braços
e as raízes se desprenderão
para procurar outra terra,
outro coração.
Mas,
se todos os dias,
a cada hora,
sentires que estás destinado a mim,
com uma doçura implacável,
se cada dia uma flor
subir a teus lábios para me procurar,
ahh meu amor, ahh meu,
dentro de mim todo o fogo se repetirá,
dentro de mim nada se extinguirá ou será esquecido,
pois meu adorado, todo o meu amor se alimenta do teu amor,
enquanto viveres, viverei nos teus braços,
sem deixar os meus.
Pablo Neruda
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